A casa: A gruta. Parte 3

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A casa: A gruta. Parte 3

Mensagem por NediaMNorI em Ter 06 Dez 2011, 08:47

a terceira parte aí pra vcs... o fim está proximo.



A gruta

Josué caminhou por volta de duzentos metros mata adentro. Nenhuma trilha parecia existir e o mato alto que se misturavam as árvores arranhava-o como se tivesse unhas, deixando seus braços com arranhões vermelhos, um deles deixando escapar uma pequena gota de sangue.
Um pequeno riacho escorria pelas pedras, Josué percebeu então que este pequeno riacho era maior de que seus olhos podiam ver e se pareciam com um rio, pois o mato que crescia por cima camuflava suas extremidades. O cenário era feio, e talvez fosse o mais belo que um dia poderia ver se fosse alterado e cuidado pelas mãos dos homens.
Foi subindo o rio beirando as águas, o barulho de uma cachoeira foi ficando cada vez mais nítida conforme seu progresso. Percebeu seu braço todo cortado pelo mato, e não eram mais apenas arrãnhões vermelhos. Estavam no inverno e antes de entrar na mata assim que saiu da casa tudo parecia estar congelando, mas ali onde estava parecia ser uma outra estação, já havia tirado a blusa antes de mergulhar naquela selva e agora o calor estava insuportável.
As gotas de suor se juntavam aos cortes fazendo queimar como fogo, misturavam-se com o sangue e transbordavam dos ferimentos escorrendo pelos braços. Seguiu com o olhar um dos rastros molhados no braço direito e notou uma pequena gota avermelhada se formando em seu dedo indicador, que pingou logo em seguida em uma folha verde ao chão.
Uma cachoeira, maior do que sua mente imaginava, mas não muito grande surgiu em sua frente. Não entendia muito de medidas, mas imaginou que esta tivesse por volta de cinco metros de altura. Quebrava diretamente em uma pedra enorme que em seguida escorria formando uma pequena piscina natural. Não pensou duas vezes e tirou o restante da roupa que agora o atrapalhava e se deitou de costas na quebra da ?gua. Ao mesmo tempo em que fazia suas feridas arderem com frescor, massageava-o.
Depois de longos minutos deitado, levantou-se e seguiu até a pedra ao lado onde estavam suas roupas, olhou para sua camiseta branca-avermelhada com misturas de sangue e barro, resolveu ent?o lava-la. Enquanto esfregava as partes mais afetadas olhou para a cachoeira e percebeu que havia algo ali. Um pequeno buraco atrás dela, talvez tivesse meio metro. O suficiente para entrar lá agachado e ver a água cair, pensou.
Sem se vestir, passou pelas ?guas e agachou para observar melhor o buraco. Ficou surpreso com a profundidade dele, estava deitado a poucos minutos ali em sua entrada, mas não tinha nem reparado na existência dele. Muito curioso com certeza não deixaria de entrar um pouco mais. Lá dentro, a escuridão prevalecia e quanto mais entrava mais seu tamanho aumentava, onde estava, já não precisava mais ficar agachado. O vento soprava forte para dentro, isso indicava que poderia haver alguma outra saída, sua animação então cobriu o restante do temor que estava sentindo.
Tropeçou em uma pedra, no mesmo momento sentou-se ao chão sobre outra pedra e um grito de dor ecoou pela escuridão. A dor tremenda que estava sentindo o fez pensar na situação em que se encontrava, estava sozinho em um lugar que provavelmente ninguém escutaria seus gritos, totalmente nu, dentro de uma gruta onde a porta era selada por uma cortina de ?gua. Voltou a sentir os arranhões pelos braços feitos pelo mato, e também tinha certeza de que seu pé estaria bem pior.
A gruta era reta desde a sua entrada até onde o Josué estava, sentado via ao longe o pequeno buraco redondo e branco por onde entrara. Respirou fundo e se levantou, se pensava em retornar. A escuridão parecia sufoca-lo, o ar agora soprava diretamente em seu rosto, o cheiro úmido e refrescante foi aos poucos sendo substituído por uma podridão fazendo com que ele quase ficasse sem respirar. Apoiando-se pelas paredes agachou novamente fitando a saída. Por instantes a luz escureceu e reapareceu, algo havia passado logo á frente.
Josué arrepiou-se inteiro e colou seu corpo na parede oval, o cheiro de podre ficava cada vez mais forte no ar e ele lutava para conseguir respirar. Engatinhando como um bebê foi tentando chegar até a saída. Um rosnado fraco surgiu a três metros a sua frente, entre onde ele estava e a saída daquele pesadelo, uma lágrima escorreu de seus olhos sem sua vontade, o terror naquele momento tomou conta de sua alma. Então em um ato de desespero, correu em direção á saída e também da criatura fétida oculta pela escuridão.
Quando estava prestes a sair, algo segurou um de seus pés fazendo-o cair com toda a força ao chão, um novo corte surgiu em sua testa. Josué já podia sentir o ar puro soprar em seu rosto novamente, seus olhos já podiam enxergar parte de seu corpo, ainda tomado pelo desespero tentava se levantar, mas o limbo nas pedras dos respingos da água que vinha de fora dificultava, estava prestes a ganhar sua liberdade. Quando finalmente conseguiu se levantar, abaixou-se um pouco para poder atravessar o buraco de meio metro, virando as costas para a escurid?o.
Uma pancada forte em suas costas o fez gritar de dor, sentiu parte de sua coluna esfarelar-se. Deitado, munido de dor, desespero e medo, apoiou a cabeça em uma pedra como se fosse um travesseiro, virou-se novamente para a gruta escura. Sentiu suas pernas imóveis sendo tocadas e o cheiro de podre voltou a cobrir o a pureza do ar que a pouco soprava. A criatura rastejou pelo seu corpo e Josu? pode então a ver.
Uma caveira com vermes que substituíam sua pele estava ali sobre seu corpo, Josué conseguiu entender apenas uma palavra em meio aos seus sussurros.
- Sangue!
O morto vivo subiu um pouco mais, Josué observou os vermes correndo por dentro de seu tórax exposto. A criatura aproximou-se um pouco mais de seu rosto e com sua língua roxa, lambia o sangue em sua testa. Alguns vermes despencaram em seu rosto, um deles em sua boca enquanto gritava.
A criatura começou então a grunhir como se tivesse recebido um troféu, e o barulho ecoava por toda a gruta. Josué não possuía mais força alguma para tentar qualquer ação, quando sentiu sua barriga sendo perfurada pela mão do demônio. Sentia seus órgãos internos sendo arrancados sem nenhuma anestesia. A ultima imagem que seu espírito pode captar foi a criatura se deliciando com parte de seu intestino na boca...
No mesmo instante do lado de fora da gruta, enquanto as roupas de Josué eram levadas pelas águas riacho abaixo, um grito de dor surgia na mata, em direção a casa.
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Re: A casa: A gruta. Parte 3

Mensagem por NediaMNorI em Ter 06 Dez 2011, 18:08

Sem continuação até semana q vem...
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Re: A casa: A gruta. Parte 3

Mensagem por Lele em Qua 19 Fev 2014, 13:07

Continuaa  Sad 
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Re: A casa: A gruta. Parte 3

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