Prisioneiro

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Prisioneiro

Mensagem por Bianca Amato em Qui 08 Dez 2011, 17:08

Tenho mofado em minha cela nessa penitenciaria imunda por vinte e dois
anos. Hoje escrevo essa carta porque sinto que a vida em meu corpo esta
desaparecendo e sinto necessidade não somente de confessar meus pecados,
mas também de alertar a quem essa carta possa chegar sobre os perigos
sobrenaturais que são terrivelmente ignorados por todos. Especialmente
agora, nesse mundo de tecnologia tão avançada, as pessoas não têm mais
tempo para enxergar o que está ao seu redor, ou até mesmo olhar as
estrelas. Todos estão muito ocupados com as coisas que pouco lhes
deveria importar.

Mas vamos aos fatos abomináveis de minha vida
antes que eu perca sua atenção. O ano era o de 1982, eu era jovem, tinha
somente 24 anos, trabalhador, honesto e suficientemente simpático para
não me faltassem moças para cortejar. Era morador de uma cidadezinha
miserável no sul do país, a qual o nome não revelarei.

Estava
frio quando eu acordei de madrugada, estava sentindo uma sensação
estranha, como se alguém estivesse me observando. Liguei a luz do abajur
que ficava em cima do criado mudo ao lado de minha cama e olhei em
volta. Tudo parecia normal, mas aquele sentimento estranho persistia.
Tentei lembrar se estava tendo um pesadelo, mas tinha certeza que não.
Apaguei a luz e voltei a dormir.

Nas noites que se seguiram o
mesmo acontecia, eu acordava e a sensação de que havia alguém comigo
ficava cada vez mais forte. Eu comentei com minha pobre mãe sobre o que
estava acontecendo.

“Isso é sua imaginação.” Dizia ela.

Depois
de algumas semanas eu já estava acostumado com aquilo e nem me
incomodava mais, eu acordava no meio da noite e voltava a dormir sem me
preocupar. Esse foi meu erro, ignorar o que não poderia ser ignorado.

Meus
amigos e familiares começaram a reclamar do meu comportamento, diziam
que eu andava nervoso, violento e sempre pronto para atirar palavras
ásperas a eles. Eu sempre dava a desculpa de não estar dormindo bem,
dizia que aquilo estava me matando e me tirando do sério, aliás, todos
sabem como dormir mal pode afetar nosso comportamento.

Mas
aquele sentimento bizarro começou a piorar. Então houve a primeira
ocasião onde eu tive a certeza de que aquilo não era só impressão minha e
que realmente alguém, ou algo, estava comigo durante as noites. Abri
meus olhos, mas não podia me mover, tentei de todas as formas levantar
ou gritar, mas meu corpo não obedecia aos meus comandos. Foi então que
olhei com terror para um canto do quarto e vi o que
parecia ser uma pessoa, não desse mundo tinha certeza, pois era somente
uma sombra esfumaçada que ali se apresentava. A “coisa” como tenho
chamado essa entidade desde então, começou a mover-se em minha direção.
Aterrorizado tentei gritar, mas meu grito era abafado de maneira sobrenatural, como se milhares de mãos estivessem apertando meu pescoço.

Fechei
meus olhos e repetia a mim mesmo “você esta tendo um pesadelo” até que
senti que outra vez era o mestre do meu corpo e este me obedecia com
eficácia apesar de sentir um pouco de dormência. Abri os olhos outra e
meu quarto estava vazio. Dormi com a luz acesa o resto da noite. Na
manhã seguinte fui ao encontro de minha família que estavam na mesa
tomando seu desjejum. Contei tudo o que aconteceu. Meus dois irmãos mais
novos riram, meu pai nem escutou e minha mãe continuou dizendo que eu
estava tendo pesadelos que pareciam reais. Saí para ir ao trabalho
furioso.

Aquilo virou uma rotina, todas as noites aquela criatura
aparecia me imobilizava chegava perto de mim e desaparecia. Minha
confissão vai te parecer muito bizarra e até mesmo anticristã, e hoje
sei que essas são exatamente as palavras para descrever meus atos
naquela época. Eu criei uma espécie de vinculo com essa coisa, não nos
falávamos, mas eu acabei tomando gosto pela sensação desconfortante que
aquilo me causava. O estado emocional em que me deixava após a paralisia
não posso descrever, não era bom, mas de alguma forma eu gostava e
talvez essa minha fraqueza foi o que levou ao meu ato de perversidade
final.

Eu me lembro bem, dia vinte e dois de março, eu me sentia
cansado e depressivo. Os ataques sombrios estavam sugando minhas
energias e de alguma forma eu perdia o controle do meu corpo. Nessa
noite eu acordei exatamente às quatro e meia da manhã e ali estava o
espectro outra vez. Notei que algo estava diferente, eu podia sentir seu
cheiro e sua forma estava mais solida do que nunca. Mesmo não podendo
imaginar com o que aquilo se parecia me horrorizei com aquela imagem
demoníaca que se aproximava de mim. Outra vez tentei em vão me libertar
das correntes invisíveis que me prendiam os movimentos, eu queria
correr, sabia que algo de ruim estava para acontecer.

Foi então
que o monstro deitou-se em cima de mim e começou a sussurrar algo em
meus ouvidos. Ainda hoje não sei o que ele dizia, mas soava maligno e
hipnotizante. Minha visão foi desaparecendo, sentia que meu espírito
estava sendo sugado, até que eu perdi a consciência.

Escutei um
grito masculino alto e forte, quando abri os olhos vi a bota de um
policial se aproximar do meu rosto com violência. Fui jogado no chão e
coberto por outros policiais que me seguravam enquanto outro me
algemava. Olhei em volta, notei que estava na cozinha, os corpos dos
meus pais e irmãos estavam no chão com os membros despegados do corpo e
dilacerados. O sangue no meu corpo denunciava que eu era o autor daquele
crime bárbaro, o sangue dos meus familiares em minha boca me acusava de
um dos maiores crimes que alguém pode cometer contra outro ser humano, o
canibalismo.

Desde então, fui atirado nessa cela nojenta e cheia
de bichos. Convivendo com o mais baixo tipo de ser humano existente no
mundo. Não me matei ainda por covardia, porém creio que não será mais
necessário, pois tenho uma doença que avança a cada dia e meu fim está
próximo.

Esse foi meu alerta para as pessoas que lerem essa
carta. Estejam sempre vigilantes e não se deixem levar pela falta de
cuidado. Hoje conheço outras histórias similares a minha e sei que essas
entidades, demônio, diabo ou espírito maligno, seja qual for sua
denominação correta, nos utiliza como veículos para matar sua sede
insaciável de sangue.
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Re: Prisioneiro

Mensagem por Bianca Amato em Qui 08 Dez 2011, 17:54

tinha uma foto mó feia lá u_u
Eu só não peguei a foto pq eu fiquei com medo h3h3
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