Antissocialidade Imaginária? - Parte 2

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Antissocialidade Imaginária? - Parte 2

Mensagem por Master Vaguinare em Sab 22 Set 2012, 14:32

INFÂNCIA - DE 2 A 8 ANOS
.Enquanto minha mãe me surrava com palavras e com um cinto grosso do meu pai ensinando-me que eu devia tirar somente dez em tomava cuidado para não desobedecê-la e estar sempre atenta ás aulas, e, visto que tinha medo dos meus pais e dos meus irmãos mais novos, Catherine e Adélio, eu não me associava com nenhuma menina nem menino, e ía com o rosto mais sério e abaixado possível, evitava olhar nos olhos e caminhava sozinha, um pouco porque tropeçava, mas se tropeçasse papai poderia abarrotar-me de gritos e me dar tapas nas costas e minha mãe me surraria na frente de tudo e de todos, por isso eu caía sozinha, sem eles. Se fossem meu irmãos mais novos, eles iriam com toda a simpatia e amabilidade pegá-los, enquanto eu escutava advertências como estas "Sua desastrada idiota! Faça desta forma!", "Não caia, se não baterei em você aqui mesmo!!", "Porque você não segue o exemplo de seus irmãos mais novos? Eles são sociáveis e você não tem companhia alguma!" e provavelmente ela sabia porque eu era assim. Antes de meu nascimento, haviam previsto que eu deveria ser uma menina maltrapilha, desarrumada e incomum. No primeiro dia na escola, aquelas crianças nem sequer me olhavam e os professores queriam que nós nos associássemos, e quanto mais ele insistia, mais eu dizia que não e me afastava, e ele ficou impaciente.
- Como é que uma criança como você pode ser tão teimosa? Se não aprender a se socializar, será um sozinha na vida! Vamos,Luíse,há muitas crianças que querem você como companhia. Diga algo criança! Pára de ser calada e se enturme! Diga!
Um pouco desconcertada, olhei as crianças á minha volta. Elas riam de mim e diziam besteiras como "Olha, Luíse cara-de-palhaça! Tão quieta!" "Que menina anti-social....quanto eu a odeio!" "Ninguém quer você aqui,vá embora." E eu simplesmente consegui falar:
- Chamo-mee.... ee..... eu.... - falei me atrapalhando por inteira.
- Ela nem sabe falar! Você é tão sem jeito! - falou uma menina, rindo.
A turma toda caiu numa risada maliciosa e o professor riu também. Fiquei com raiva e decidi não falar com ninguém, decidi estar todo o tempo sozinha, sem aproveita a minha infância com a minha família, simplesmente se tornar invisível, sumir do mundo. E fiz isso. Quando cheguei, meu pai olhou-me dos pés a cabeça e perguntou:
- O que você anda fazendo,menina?
- Bee..mm... Pai eu não fiz nada... eu juro..eu - ele me interrompeu
- Vá lavar essas mãos! Está com as mãos sujas! Não é menina feia? O que acha disso,Adélio?
- Retardaa-da... Retardada! Isto mesmo! Não consigo me imaginar sem ela! Que felicidade.
- Como eu digo? Retardada? Exatamente!
Saí correndo para meu quarto e minha mãe gritou lá de baixo. Nem dei ouvidos. Coloquei fechaduras duplas e tranquei de imediato antes que ela viesse. Fui até meu armário e peguei uma caixa pequena e quadrada e a abri. Eram minhas melhores lembranças, se é que eu tenho alguma lembrança.Numa foto estava a família inteira, meus irmãos mais novos e eu sorridente olhando para o nada. Aqueles cabelos loiros e os olhos esverdeados aparentavam alegria, algo que não me lembro de ter sentido, afinal, eu tinha o quê...1 ano? 8 meses? Meus cabelos loiros eram e são lisos e mais ou menos até o ombro, enquanto minha irmã e irmão mais novo tínham cabelos pretos e olhos castanhos claros. Catherine era quase a perfeição para meu pai. Eu, nunca em minha vida pude avistá-lo batendo ou gritando com ela, por mais que ela fizesse a maior travessura do mundo, como inventar que vai voar, pular e morder os outros, que iria se matar ou algo do tipo, ele sempre a girava e dizia num tom alegre "Mas que menina mais princesa!", enquanto ele me excluía. Mamãe era exatamente o oposto dele. Preferia Adélio. Dava tudo que ele pedia, o mimava e não o restringia de nada. Eu sentia medo, mais do que isso, angústia e pavor só de saber que não significava uma vírgula a eles. Eu era uma órfã de algum outro planeta. Sim, eu era. Não me arrumava, costumava sair correndo para não perder a primeira aula ou levava uma surra na volta da escola e tudo por nada. Meus pais sentiam pavor e arrogância de minha aparência, por que eu deveria ser encantadora, sociável, bem acompanhada, ou como eles queriam que eu fosse porque nunca os entendi. Se recusasse levar Catherine para a escola era chorava e se esparramava no chão e papai me batia e colocava seu dedo em meu rosto numa expressão furiosa.Se deixasse que alguém a raptasse, morreria em minha casa e seria enterrada num quintal, se não desse o que Adélio queria já teriam cortado meus pulsos, já que minha mãe era médica e meu pai engenheiro e sabiam a medida certa de tudo. Por isso eu tentava evitá-los.
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